segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

[Texto] -- Um abraço


Se eu não me engano, era dia de semana, quarta ou quinta. Acordei cedo, café na cozinha. Estava me sentindo em casa. O som do silêncio me fazia companhia.
Alguém abre a porta da sala, e eu abro a porta da geladeira, procurando algo gelado para beber.

- Bom dia! – é o que eu escuto, onde eu respondo com um sorriso de canto de boca.
Pego um suco, sem saber de que sabor é, coloco em um copo, mas depois decido colocar em mais um copo, tentando ser gentil com alguém que me escutara por mais de dez anos as minhas aflições.

- E se nada der certo comigo? – indago com a voz mais grave que o normal, como acontece em todas as manhãs.
- Você não será mais o mesmo. Será um caminho sem volta, pois você verá que é algo mais fácil, mas os seus maiores sonhos não serão realizados. Você os transformará em metas e planos, será uma coisa mecânica. Você conseguirá tudo, mas haverá dias em que você precisará de alguém. Você vai processar tudo que passou, verá que do jeito que está não sofrerá tanto, e isso se transformará em um ciclo vicioso, e aí tudo será uma questão de tempo e você não terá mais sonhos.

- É um risco que se corre... Sei dos efeitos que podem me ocorrer.
Termino de beber o suco, olho para ela, alta, cabelos escuros e lisos, olhos fixos nos meus. Abro meus braços e ela me abraçara. Cai uma pequena lágrima, mas eu a seco antes dela perceber...